
Até o dia próximo dia 27/10 este blog, normalmente cinza, preto e branco mudará suas cores para amarelo e branco, em homenagem ao Círio de Nazaré.
Sou agnóstico e cético declarado. No entanto, é impossível não se sentir encantado pelas festividades do Círio. Do ponto de vista histórico, não conheço rigorosamente nada que se assemelhe a ele, em todo o Brasil. Digo que participar do Círio, ao menos para mim, não está mais relacionado a ser ou não católico, mas ser Amazônida, por adoção e afinidade. Do mais profano ao mais sagrado, do mais conservador ao mais libertário, tudo pode ser observado nesta festa.
Mas o mais maravilhoso é mesmo a relação que as pessoas, dos mais diferentes tipos, classes sociais, mesmo credos religiosos, mantêm com a Santa. Ela é a grande protetora, a grande homenageada, e eu diria o elo de ligação máximo entre tantas pessoas diferentes. Além disso, é uma festa que, embora originalmente concebida pela igreja católica e pelo governo da capitania do Grão-Pará e Maranhão, acabou saindo da esfera de controle desses poderes e sendo reinventada pela população, desde o século XVIII.
Para os que quiserem saber mais sobre as celebrações do Círio de Nazaré como a maior manifestação do catolicismo popular, o IPHAN organizou um dossiê excelente sobre a festa, que foi reconhecida como o patriônio imaterial da cultura brasileira.
Ontem eu acompanhei a transladação da Santa, do colégio Gentil Bittencourt até a Igreja da Sé. Pude ver uma Belém que, mesmo como funcionário do Patrimônio Histórico do Estado, nem sempre posso encontrar. Magistral, bela, surpreendente. Ainda estou escrevendo um post sobre essas minhas impressões da cidade, que logo colocarei aqui. Mas tenho certeza de que será uma pálida, pobre escrita, que nunca conseguirá mostrar a contento o que eu pude ver e sentir.
A TODOS, UM FELIZ CÍRIO DE NAZARÉ.